Quando pensamos em pedras preciosas, quase sempre lembramos das mesmas gemas: diamante, esmeralda, rubi e safira. Mas essa lista muda bastante dependendo do país.

Em grandes feiras internacionais de gemas, é comum encontrar joalheiros e colecionadores disputando pedras que a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar.

Isso não acontece porque sejam menos bonitas ou menos raras. Na maior parte das vezes, é apenas uma questão de história, cultura e tradição.

Entre tantas opções fascinantes, três delas merecem destaque.

1. Zircão

O zircão é uma das pedra preciosas mais injustiçadas da joalheria brasileira. O motivo pode ser simples: seu nome.

No Brasil, muita gente associa imediatamente "zircão" à zircônia, uma pedra sintética usada como imitação do diamante. Mas são materiais completamente diferentes.

O zircão é uma gema natural formada ao longo de milhões de anos. Aliás, é um dos minerais mais antigos já encontrados na Terra. Além disso, possui um dos maiores índices de refração entre as gemas naturais, o que faz com que apresente um brilho extremamente intenso.

As variedades azuis possuem uma cor quase elétrica. Os amarelos impressionam pelo calor da tonalidade. Uma gema linda muita utilizada em jóias em países como: Japão, Tailandia, Sri Lanka e EUA.

 2. Espinélio

Durante séculos, o espinélio viveu uma curiosa injustiça. Muitas das pedras vermelhas consideradas rubis pela realeza europeia eram, na verdade, espinélios.

O exemplo mais famoso é o chamado Black Prince's Ruby, incrustado na Coroa Imperial Britânica, que hoje sabemos ser um enorme espinélio vermelho. Essa confusão aconteceu porque o espinélio só passou a ser reconhecido como uma espécie mineral independente no século XVIII.

Hoje, a situação é bem diferente. O espinélio tornou-se uma das pedras preciosas mais valorizadas pelos colecionadores e vem registrando uma valorização internacional nos últimos anos.

Os exemplares vermelhos e azuis estão entre os mais raros.

Mas existe um detalhe que gostamos bastante aqui na ViVD. Os espinélios em tons pastel e, em particular, os cinzas possuem uma elegância muito própria. São pedras discretas, modernas e extremamente luminosas.

3. Tsavorita

A tsavorita é uma variedade verde da granada.

Foi descoberta apenas na década de 1960 e recebeu esse nome em homenagem ao Parque Nacional Tsavo, localizado entre o Quênia e a Tanzânia, região onde ainda hoje são encontrados seus principais depósitos.

Apesar de ainda ser pouco conhecida pelo grande público, talvez seja a gema desta lista que começa a despertar maior interesse no Brasil.

Seu verde intenso costuma ser comparado ao da esmeralda. Mas há diferenças; enquanto a esmeralda normalmente apresenta inclusões naturais e um brilho mais suave, a tsavorita costuma formar cristais muito limpos e extremamente brilhantes.

É uma daquelas pedras que surpreendem justamente porque quase ninguém espera encontrar um verde tão intenso em uma granada.

O olhar da ViVD

Aqui na ViVD percebemos uma curiosidade interessante.

Quase ninguém nos procura perguntando por um espinélio ou por uma tsavorita. Muitos clientes sequer ouviram esses nomes.

Mas basta colocarmos essas gemas ao lado de pedras mais tradicionais para que a conversa mude completamente. Antes mesmo de saber o nome, as pessoas costumam comentar a cor, o brilho ou perguntar "que pedra é essa?".

Nesse momento que percebemos algo interessante: muitas vezes nos apaixonamos por uma pedra antes de conhecer sua história. É curioso perceber que o encanto nem sempre da fama.

Essa é uma das partes mais fascinantes do universo das pedras preciosas. Sempre existe uma nova gema, com brilho e cores únicas, esperando para surpreender alguém.

Conclusão

O valor de uma pedra preciosa nem sempre está relacionado à sua fama.

Muitas gemas extraordinárias permanecem pouco conhecidas simplesmente porque fazem parte da cultura de outros países ou nunca ganharam espaço no mercado brasileiro.

Conhecê-las é também uma forma de ampliar nosso olhar. Afinal, assim como acontece com a arte, a gastronomia ou a música, cada cultura aprende a admirar belezas diferentes. De certa forma uma das maiores riquezas da joalheria esteja justamente nisso: descobrir um universo muito maior do que imaginávamos.